terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O que fazer pra pegar um homem - Parte 1

Caralho esse ano eu escrevi uma vez só. Sorry mans.

O título parece estranho mas foda-se xD
As coisas andam corridas, eu não queria ter abandonado o blog mas ta foda. O importante é que deu pra eu voltar por enquanto e com assunto.

Há algum tempo me perguntaram se eu sabia pegar um homem. Claro que quem perguntou foi uma mulher. Foda que a resposta que eu cheguei foi sim. Somos filhos da puta é claro que é fácil pegar um de nós.

Depois fiquei pensando caralho... se tem homem com dificuldade em chegar em uma mulher tu pensa uma mulher que a vida inteira pensou que isso era coisa de puta fazer.. fudeu xD
Resolvi ajudar uma amiga e mais algumas desconhecidas que passam a merma coisa em alguns passos pra tu começar a desenrolar a conversa com um cara.


1. NÃO PENSA QUE TU É PUTA POR ISSO.

"ser puta" é só quando tu transa por dinheiro. Fim.

2. NÃO PENSA QUE TU É A PRINCESA.

não depende só do filho da puta conversar. Tu pode (e deve pra caralho) ajudar na conversa inclusive puxando assunto. Não é só nossa obrigação se tu também tá a fim. E chegar pra conversar não te faz puta, mostra que tu é segura e segurança dá tesão.

3. CHEGA SEM MEDO.

dificilmente tu vai chegar em um cara e ele vai te agarrar sem perguntar teu nome, No carnaval acontece xD tirando essas datas o cara não vai te agarrar do nada então tu nao precisa ficar com medo. Lembra que tem lei pra caralho que te protege de qualquer filho da puta que tentar te aproveitar de ti e tu só precisa de um grito pra fazer todas elas caírem nele.

4. O QUE TU VAI FALAR?

qualquer merda. Não importa muito o que tu vai dizer, só precisa fazer um pouco de sentido na situação. Pergunta nome, de onde é, o que faz, o que estuda, o que gosta. Na dúvida tu tropeça no cara como diz Lady Lie xD

5. VI O CARA NA BALADA E NÃO SEI SE ELE QUER FALAR COMIGO

encara. Quando ele te ver continua encarando e sorria. Se ele sorrir de volta tu continua encarando e levanta um pouco o copo na direção dele. É um cumprimento universal que diz "saúde, se tu quiser conversar to disponível". Torça pra ele entender isso. Se não entender continua encarando que uma hora o filho da puta vai vir falar contigo e se não for esquece.

6. COMO SABER SE ONDE EU VOU TEM QUEM EU QUERO

tenta a sorte só não espera encontrar um sertanejo num show de metal e nem um pagodeiro numa roda punk.

7. COMO SABER QUEM EU QUERO

Lady Lie me disse sobre essa dificuldade essa semana e eu fique um pouco puto. ok MUITO puto mas tem guria que não sabe mermo qual é o guri que faz o perfil dela.

DICA 1. separa tudo o que tu gosta em um guri,
DICA 2. separa tudo que tu não gosta.
DICA 3. separa o que tu pode aceitar dependendo do caso.
DICA 4. separa o que tu nao suporta.

Desse jeito tu evita dor de cabeça com filho da puta que não vai te fazer feliz e só vai ficar enchendo teu saco.

8. ONDE EU ACHO QUEM EU QUERO

procura caralho.

9. TENHO VERGONHA E ELE TAMBEM

acontece pra caralho isso e só posso te dizer que se não for tu a conversar com ele e pegar o guri vai ser aquela loira gostosa do RH que fala pra caralho e vive alisando o ombro dele quando ele passa pelo corredor na hora do café. Concorrência é foda.

10. EU POSSO USAR ESSAS DICAS?

se tua vida amorosa for uma merda ou um deserto ou se tu tiver menos de 22 anos e não sabe porra nenhuma sobre um relacionamento, yeap tu pode usar essas dicas.


Caso aparecer mais dicas dos meus contatos eu repasso aqui. Se eu tiver autorização. Foda-se eu posto assim mermo xD

sábado, 4 de abril de 2015

10 motivos para não ver 50 Tons de Cinza

Eu assisti essa merda! Eu resisti muito bem até a minha guria me convencer que seria uma coisa boa pelo lado psicológico da coisa. É, pros punheteiros de plantão eu devo dizer que de putaria tem pouca coisa. Então vamos listar:

1. Não conseguimos ver mais do que 30 tons de cinza.

Então parem de traduzir a porra do nome 50 shades of Grey, o sobrenome do sujeito, como "cinza" porque não tem MERDA DE SENTIDO NENHUM.


2. Não é filme pornô.

Se 50 shades for pornô a Sasha Grey é virgem. Simples assim. Tem putaria mas não chega a ser um pornô decente, então não vá com intenção de bater uma no cinema. Melhor, não vá no cinema filho da puta.


3. Ela não é gostosa e ele parece viado.

Sei que a historia trata Ana como uma mulher comum que pode ser qualquer uma mas eu preciso dar os parabéns pra atriz: ela é e atua parecido com a Stewart quando fez a Bella da outra merda que foi Crepúsculo.
E ele parece viado com cara de poodleman no osso, do tipo que não vai te prender e nem foder como ele diz/tenta fazer.



4. A porra toda é uma mentira.

Praticantes de sadomasoquismo não mostram seus brinquedos, não explicam seus segredos com estranhos muito menos pegam virgens pra "converter/foder". Eles sabem que são diferentes e desequilibrados e não vão se meter com qualquer um na rua. Mesmo que estejam latejando de vontade. Eles sabem que não vão ser facilmente aceitos e que a prática deles não é convencional.. não tem motivo nenhum pra eles se machucarem com gente filha da puta que não sabe respeitar a diferença do outro.


5. Não explicaram o que tu tá vendo.

O sadomasoquismo é passado com muito mais naturalidade do que se deveria e não é a toa que os acidentes sexuais aumentaram em 50% desde a estréia. Não é pra tu fazer tudo igual filho da puta. Quem faz faz bem feito e do jeito certo. Já me perguntaram se dói e quando me perguntam uma coisa dessas eu faço a seguinte pergunta de volta: Quando tu tá transando e ela arranha as tuas costas dói? e pra ela: Quando tu tá transando e ele morde teu pescoço dói?
Com tesão nada dói.



6. O que te deixa excitado de verdade é o bondage e não o masoquismo.

Não te explicaram na merda do filme e nem na merda do livro que tu, sujeito considerado normal, fica excitado com o BONDAGE feito no filme e não com a dor sentida pelo personagem. Quem sente prazer com a dor precisa de um psicólogo e no caso dos sadomasoquistas assumidos o prazer só vem através da dor. Sem dor, sem orgasmo, sem prazer.
Amarrar, amordaçar, vendar, por gelo, penas e tudo que explorar os sentidos é usado pelo praticante de bondage e só isso que ele faz. Sem bater sem dor.


7. O livro não sustenta o filme.

O livro tem muito mais putaria que o filme e nem por isso chega a ser melhor. É "forte" demais pra ser romance de cabeceira e fraco demais pra um livro pornô. Não tem uma história que sustente o filme sem a putaria quase ruim. É muita coisa pra uma censura 16 anos porque os filhos da puta punheteiros de 16 anos não vão saber entender aquilo (e o filme já faz o favor de não explicar porra nenhuma) e os acidentes sexuais aumentam. Digo isso porque os retardados que sofrem acidentes sexuais ou provocam esses tem idade mental de 16 anos ou menos.


8. Mulheres bem comidas não gostaram do filme.

Vem cá e conta pro Cafa que tu já fez coisa bem pior e mais gostosa que aquele casal sem pimenta. Se sim tu sabe do que eu tô falando xD
Convidei dois casais pra ver o filme com a gente porque eu não queria ver aquela merda só com a Lena, não ia ter graça nenhuma. Um dos casais tem um praticante de bondage amigo meu. Acho que não dormiram por respeito a mim e a Lena e porque tava engraçado pra caralho ver o outro casal envergonhado e até assustado com tudo que aparecia na frente deles. Esse casal é amigo da Lena e como eu esperava são normais. Normais, chatos, mornos.


9. Ela morde a boca e ele...

Qualquer filho da puta virgem de 15 anos sabe que precisa de alguma coisa pra chamar atenção da "vítima". Um sorriso torto, uma piscada, uma levantada de sobrancelha, morder a boca, uma cara de pervertido. Ela morde a boca e ele não faz PORRA NENHUMA. Se uma mulher não tem nenhuma mania sexy eu perco o tesão antes de começar. Como eu vou lembrar dela depois se ela não tem e não deixa marca nenhuma?


10. O final é uma merda.

Quando ele mostra que gosta de causar dor ela vai embora. Tu sabia desde o começo filha da puta e só agora resolveu ir embora? Mas vou ser justo: ele bateu nela pela primeira vez sem ela sentir tesão. Das outras tantas fodas que o filme mostra como se fosse uma só ela ficou excitada primeiro e apanhou depois. Assim que se faz também pra amarrar alguém: tesão primeiro e cordas depois.


Eu conversei com a Lady Lie a respeito disso esses dias, depois dela ver o filme também. Ela disse que foi sucesso de bilheteria porque hoje o sexo é fácil, todo mundo com mais de 12 anos faz e as pessoas estão cada vez mais pervertidas.

Eu discordo.

Há alguns anos atrás no Brazil as coisas eram escondidas. Era proibido falar de sexo e as pessoas tinham medo de ir contra essa "lei". O tempo passou e tudo ficou mais fácil, o que era proibido virou programa de TV e hoje todo mundo sabe. Mas sabe pela metade. Aquela história de tudo que é muito fácil e conhecimento popular acaba sendo distorcido funciona muito bem aqui. As pessoas transam pela metade. E nem tô dizendo de gozar e virar pro lado e dormir. As pessoas fazem tudo pela metade. Beijam pela metade, transam pela metade, gostam pela metade. Ninguém se dá ao trabalho de ser inteiro pra si mermo ou pra alguém e aí fica todo mundo morno.

Uma nação de fodedores broxados.

De onde eu venho as coisas são mais severas e não se misturam. Se tu não sabe foder direito faça pelo menos o básico bem feito. Ou então vai aprender. E como se aprende? Na casa das cortesãs mais conceituadas e caras da cidade. Toda cidade tem. Lá tu chega e fala: Yo eu não sei satisfazer a minha mulher. Preciso de alguma coisa nova pra salvar meu casamento.

E então começa a aula. Tu pode escolher entre assistir ou fazer. Isso costuma ser feito com 17 anos e segue até os 25 que é a idade que as pessoas normalmente começam a se casar. Acontece de aparecer desesperados depois dos 40.

Enfim, tu que leu/viu e gostou de 50 shades of Grey, começa a reparar se a tua vida não tá uma merda. Em todos os sentidos. 50 shades pra todos os adultos deveria ser uma piada pra introduzir adolescentes na arte do bondage mas como sempre acontece quando gente mal comida e desinformada escreve alguma coisa nem pra manual isso serve.

Mas pega o que tem de "bom" e faça bom uso dele. Estude se tu tiver interesse de verdade e pare de fazer merda.

Saia dos tons de cinza caralho. Tu nunca ouviu "relaxa e goza que a vida é rosa"? xD



E pra quem tem interesse, dois links interessantes

10 FATOS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE 50 TONS

5 CURIOSIDADES SOBRE O ORGASMO QUE VOCÊ NÃO SABE



Ainda acho parecido com Crepusculo xD
Depois do fato 6 achei mais parecido com Crepúsculo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O que não fazer se quer pegar uma guria

O título parece estranho mas é isso mermo.

Muita gente (mentira, só os insones) me pergunta detalhes de como o rolo com a Lena* virou uma coisa séria. E eu acredito mesmo que eu devo isso, além de ser uma história engraçada, tu vai gostar de me ver fodido.
Só tem uma postagem sobre isso, tu pode conferir aqui, no Ódio Reverso. Como tinha ficado grande pra caralho, eu resolvi encurtar o final; agora vamos pros detalhes sórdidos.

Quem leu sabe que no dia que ela veio pro meu ap com aquela roupa curta demais e folgada demais, eu beijei a guria. Ok, eu não me arrependo, nunca me arrependi, mas o que talvez eu não tenha dito é que eu fiquei tenso. Não é que uma parte de mim ficou tensa, eu fiquei tenso; caiu como um balde de água gelada a merda que eu tinha feito depois que eu caí no sofá.

Quites? – ela me perguntou.
Quites, pode ir embora agora.
Eu não tenho nada pra fazer.

Ela deu de ombros e sentou no braço do sofá, observando a minha prateleira de livros.

Helena tu precisa ir embora.
Esperando alguém?
Não.
Então...
Deixa eu ver se eu deixo as coisas claras pra ti. Tu não me conhece, não sabe onde tá se metendo, não sabe o que eu posso fazer e não tem noção de como as coisas podem ficar feias.
Tu disse que era da polícia, não era pra me proteger, como cidadã de Palmas?
Tu tá fodendo com a minha paciência, guria.
Fiz um sorteio e o fodido do dia é tu. O rapaz lá da portaria ficou até feliz de me ver passar sem falar nada pra ele.
Tu não dorme não?

Ela disse que não, até meio triste, mas confiar nela não era opção.

Vem cá, tu não tá congelando nesse lugar? Porra o ar tá em quantos?
15.
Quebrou nos 15? Puxa da tomada.
Eu prefiro e é assim que ele vai ficar. Tu que veio com roupa de menos.

Ela fez uma careta e olhou pela primeira vez a mesa que eu costumo apoiar os pés e “guardar” a papelada; a chave do carro e o distintivo estavam ali em cima. Eu liguei a tv e comecei a zapear pelos canais.

Tu é policial mesmo?
Yeap.
Não parece.
Não quero parecer.

Ela puxou conversa sobre o que eu fazia e resolvi deixar ela saber algumas coisas. Em troca, descobri muito dela. O problema com os pais, os irmãos trabalhando muito, ela se sentir sozinha. Na verdade, eu era muito parecido com ela, por isso não queria ela tão perto. Talvez meu medo era bancar o herói e não deixar ela cair no mermo poço que eu, sendo que eu a enterraria nesse poço, sem ver.
Talvez tenha acontecido isso, mas não foi tão ruim.


Depois desse dia eu tomei todo o cuidado possível pra não ficar tanto tempo sozinho com ela. Funcionou por um tempo, quando ela chegava eu dava a desculpa de estar de saída pro térreo, tinha algo pra falar com alguém e ela não entrou mais no meu ap. Por duas semanas.

Eu fiz o teste, sabendo do resultado. Pedi pro João confirmar que eu tinha saído e não voltaria cedo em uma sexta-feira. Fiquei trancado no ap resolvendo a papelada e dispensei o Peste bem antes dele dar alguma falha; também pedi pro João* ficar de olho nela e me informar. A guria ficou com as outras no térreo, como sempre, até as cinco da manhã. As gurias foram pra casa e ela ficou no mesmo lugar, deitada olhando o teto. Ela apagou assim. O João me ligou depois das seis e disse que já havia tentado acordar a guria de todo jeito e não tinha conseguido; isso ia foder o trabalho dele depois.

Eu desci contra a vontade e tentei acordar a guria, mas ela dormia como pedra. Então eu peguei ela no colo; era mais leve do que eu esperava e mais magra do que eu tinha notado. Ela não tinha a chave de casa e eu não tinha lugar pra deixar ela, a não ser meu ap. Ah, merda. Eu tinha umas coisas pra resolver na DP mas podia pegar o dia de folga, já que o filho da puta do boss me devia. Os irmãos já tinham saído e trancado o ap, as chaves reservas ficavam com o zelador e o estagiário não tinha. Merda de novo.

Levei a guria pro meu ap, pensei mais de cem vezes se eu deveria deixar ela no sofá ou na minha cama. Eu já apaguei naquele sofá e é foda. Amaldiçoando de novo a minha mania de dizer “te afasta” e acabar trazendo pra mais perto, deixei ela na minha cama com o bilhete de “não quebre nada. Volto as 10.”
Bom, ela não quebrou nada, mas fez o café. E lavou a louça do jantar que eu tinha “esquecido” ali. Quando eu abri a porta, torci pra que ela já tivesse ido embora, mas eu sabia que ela não iria.

Tu não saiu, né? Passou a noite preenchendo isso.

Ela apontou pra um monte de papel separado dos outros. É, ela havia percebido; seria idiota se não tivesse.

Foi.
Por que o João me disse que tu tinha saído?
Eu pedi.
Queria ver a minha reação?

Eu joguei o distintivo e as chaves na mesa.

Por que tu não foi embora?
Eu fui, mas eu não tinha nada pra fazer lá.

Ela havia pegado uma jaqueta preta, já que eu não desligo o ar condicionado. Nunca.


Eu fiz café.
Eu to sentindo o cheiro.
Eu te incomodo?

Ah, pergunta filha da puta. Se eu dissesse sim ela ia embora, ponto final, se eu dissesse não ela ficava. Ela precisava ir, mas eu não queria que ela fosse. As três horas que eu passei na DP foram piores que o dia inteiro de trabalho; cansado, estressado, com raiva dos filhos da puta que foram soltos, eu não queria ficar sozinho. Parte não queria.

Não. Tu não incomoda, Helena.
Parece.
Eu vivi sozinho por sete anos, não espere que eu saiba entrar em casa e dar de cara com alguém dizendo “oi, eu fiz o café”.
Eu não te disse oi.
Tu nunca me diz oi.
E tu nunca me diz tchau.
Tu nunca me disse tchau.
Tu diz até mais.
Pode ser nunca.
Pode ser mais tarde.
Ok, agora tu tá incomodando.
Porque é uma ferida.
Que tu não deve mexer.
Todo mundo tem ferida, tu não precisa ser mais idiota porque tem mais.
Isso que tu nem começou a ver as minhas.
Acho que tu não percebeu que não faz diferença.
Tu diz isso agora, depois tu

Eu não lembro se eu falei alguma coisa depois disso. Eu lembro que ela me abraçou pela cintura e encostou a cabeça no meu peito.

Foi um dia de merda.
Foi. Tu não precisa.
Não importa. Vai dar tudo certo, as coisas vão acabar se acertando. Se não for por bem vai por mal, mas o que interessa é que vai.

Eu não pude deixar de rir e ela não pode deixar de dizer qualquer coisa do tipo “ele sabe rir”. E logo depois reclamar de eu estar com a arma presa na cintura.

Tu tá dentro da tua casa, precisa disso?
Eu tava trabalhando, porra.
Não tá mais, guarda isso.
Tu tá dando ordem dentro da minha casa?
Tô, tá achando ruim? Eu não faço o almoço pra ti então.
Ótimo, então vai embora.
Cala a boca e guarda isso, a água já tá fervendo ali.
E vai fazer o que?
O que tu acha que tu tem em casa?
Tem uma porrada de coisa.
E o que vai água?
Macarrão?
O presunto e o queijo vai vencer amanhã, tu viu?
E daí?
Estraga, caralho!
Mas é a minha casa, porra.
Por isso tá desse jeito. Já guardou a arma?
Não fode, Helena.
Guarda e seja útil, vem me ajudar.
Porra, vou te por pra fora e nunca mais te deixo entrar aqui.
Tu não tá com fome?

Ok, eu tava com fome. Ela riu do meu silêncio. Merda, ela venceu. Ela sempre vence.

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Humildade de um Lutador

Ontem me perguntaram como eu era na infância. Eu não fui nada que prestasse, claro.

Bom, eu morei muitos anos na casa da minha tia, um puteiro em Cambridge. Isso não é novidade. Mas talvez valha a pena contar a quem ainda lê o blog sobre algumas das vezes que eu me fodi muito.

Eu devia ter uns seis anos de idade, um guri magrelo com o nariz grande. Como disse o grande Mr V, “bullying não tinha nome onde eu morava; era a mesma coisa que respirar, de tão natural.”. Hoje em dia as pessoas são frescas pra caralho e não conseguem lidar com a crítica e pessoas apontando seus defeitos. Na verdade, as pessoas não suportam mais os seus defeitos, já que cresce cercado na porra de uma bola de vidro como o príncipe/princesinha dos pais.

Isso, fodam com seus filhos mesmo, filhos da puta.

Me chamavam de tudo. De cafetão, prostituta, me perguntavam se eu comia as minhas primas – já que maior parte delas não eram primas de verdade e eu era cercado delas – se eu era comido pelos meus primos – haviam homens que trabalhavam com a minha tia também, e eram muito legais comigo. Aprendi muito com eles. E mais uma porrada de coisas. Me fodiam por eu ser loiro, por eu ter ou não ter dinheiro pra comprar o lanche na cantina, por eu fazer ou não o dever de casa. Mas as coisas pioram quando tu tem sete ou oito. No meu caso, eu ainda tinha seis.

A agressão física foi foda no começo. Doeu pra caralho e eu só pensava em um jeito de retornar essa dor pra quem tinha me ferido. Me batiam todo dia, na verdade. Muito. O foda era que eu não sabia nem me defender, então só apanhava. Um dia, um dos clientes de uma das minhas primas me viu estourado no chão.

“man, o que aconteceu?”
“uns caras me pegaram na rua. Nada de mais.”. Não era mesmo, era só um olho inchado e uns cortes na boca. Ah, claro, fora o nariz quebrado que eu não tinha contado pra ninguém.
“tu não sabe te defender?”
“não.”
“vem.”

Ele me levou pra academia dele, me ensinou algumas coisas, como não apanhar tanto e como revidar um soco. Na verdade, como dar um soco decente. Em pouco tempo eu aprendi a bater, isso era suficiente, na época. Logo eles pararam de me encher o saco, depois de eu quebrar o braço do garoto que me quebrou o nariz.

“estamos quites.”. bom, a gente não tava quite. Eu já havia perdido há muito tempo.

Depois de alguns anos, eu continuei procurando academias que me ensinassem alguma coisa. Uma delas, bem longe de casa, tinha uma mestre muito gostosa. Ela não queria me treinar porque eu era um pirralho filho da puta. Mas ela sabia que eu ia dar trabalho e que seria incorrigível. Meio incorrigível.
Insultei a sensei como pude. Mesmo. Desde dizer que ela não sabia o que fazia até insinuar que ela não queria ficar perto de mim porque queria que eu a comesse. Deve ter sido difícil aguentar isso de um pirralho de doze anos.

Quando ela viu que eu não ia dar paz, resolveu me treinar. A primeira coisa a fazer era baixar o meu ego inflado pelas meia dúzias de socos fracos que eu dei em gente menor que eu. Eu era um filho da puta. Pra ela deve ter sido fácil soltar o braço esquerdo nas minhas costas e me deixar sem ar por trinta segundos. Também deve ter sido fácil me apagar por meia hora, deslocar meus ombros e luxar meu joelho. Digo que deve ter sido fácil porque depois dos trinta segundos sem ar, eu não me lembro de muita coisa. Só da dor. Da dor eu lembro muito bem. Muito bem.

Ela me disse então pra ir pra casa e cuidar dos machucados – que ela tinha feito – e depois procurar ela de volta. Pelo tempo que eu demorei, talvez ela tivesse esperança que eu não aparecesse de novo, mas numa tarde nublada eu me enfiei na academia dela e não saí até ela me atender.

“você precisa aprender a apanhar.”.
Porra, eu fiz isso a vida toda!
“não assim. Apanhar sem doer o quanto tu sente de dor.”.

No começo não entendi merda nenhuma, mas depois, é como se tu vestisse uma armadura por debaixo da pele. O treinamento é foda e dói pra caralho, mas depois, a dor diminui. É claro que os filhos da puta iam tentar quebrar meu braço como eu havia quebrado um deles, mas já não era tão fácil assim. Meu trabalho era amortecer os ataques de todos eles, ao mesmo tempo, e depois, deixar eles irem embora. Isso se chama ‘humildade’. Coisa que hoje, depois de aprender, uso pouco. Muito pouco. Mas eu fiz, na época. Ser o saco de pancadas de todo mundo começou a ter uma conotação até que divertida. Eu conhecia todos os golpes e como eles me atacavam, por onde e quando, e isso me permitia não ser pego de guarda baixa em momento algum. O que me salva a vida até hoje.

Depois de um tempo, a sensei me mandou embora. Eu já tinha meus dezesseis e precisava dar um rumo na vida. A garota que eu saía na época era russa e decidiu voltar pra casa. Eu quase preferi ficar com a sensei.
O pai dela tinha fama de castrar os namorados das filhas, e pra ficar na casa dele, eu fui obrigado a brincar de boneca com a filha mais nova dele. Isso significou bancar o viado por cinco meses. E sabe por que isso veio a calhar nessa conversa toda?

Porque a disciplina que eu ganhei com a sensei me permitiu ser espancado verbalmente todos os dias, durante cinco meses, sem reagir. Isso me tornou mais forte.

Tão forte que hoje, na minha atual profissão, sou diariamente chamado de vagabundo, ladrão, filho da puta, bandido, vendido, pau mandado, assassino, podre, escória da terra, diabo, gigolô, cafetão, viado, e o que mais as pessoas lembrarem no momento.

E ignorar. Fodam-se eles.

Tudo funciona de uma maneira circular. Vai e volta a vida toda. Quanto mais cedo tocar o foda-se, mais rápido passa.


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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Por Um Mundo Sem Pastel de Vento e Coxinhas

Em cada parte do país, o termo "coxinha" se refere a um tipo de pessoa.

Já vi no centro de São Paulo gente chamando policial de coxinha.
Já vi chamando homens engravatados de coxinha.

Em cada parte do país, o termo "pastel de vento" se refere a um tipo de pessoa.

Já vi por aqui gente chamando gente chata de pastel de vento.
Já vi chamarem puta feia de pastel de vento.
Já vi se referirem a cu doce como pastel de vento.

Enfim, qual a finalidade de colocar um título dizendo menos coxinha e pastel de vento?
Simples: porra de sociedade chata!


O problema geral das pessoas hoje em dia é o maldito POLITICAMENTE CORRETO.
Hoje em dia, falar puta não pode, falar caralho não pode, falar ORDINÁRIA não pode.
MAS FALAR A PALAVRA "MERDA" NA TV HORÁRIO NOBRE PODE.

Na verdade, falar tá cada vez mais difícil hoje em dia. Se antes existia a CENSURA PARA O POVO, hoje existe a CENSURA DO POVO.
O próprio povo tá tolhendo a sua liberdade de expressão.
Falar alguma coisa hoje, principalmente se tu for falar alguma merda de alguém ou de alguma coisa que tá na mídia e/ou virando modinha, tu precisa estudar pra caralho antes!

EU: Nossa, como o Neymar tá feio!
FÃ do Neymar: tué estestiscista pra falar alguma coisa dele? Cadê teu deploma de cabeleireiro profissional pra falar mal do cabelo dele? Hein hein????

Tá aqui guria, pega no cabelo do meu PÉ.
Caralho!

Lady Lie (vendo um vídeo): Puta que pariu, como a voz do Brian (Backstreet Boys) tá zoada! Coitado, vai precisar descansar a garganta um pouco, antes que pife de vez. Talvez por isso ele não tá fazendo tanto solo mais.
Fã do Brian: tué médica pra falar isso dele? Tu sabe que tipo de tratamento ele faz pra manter a voz? Tu sabe dos problemas dele? quem é tu pra falar mal da voz dele? Cadê teu diploma pra falar alguma coisa ou indicar algum tratamento pra ele, hein hein?

Pega no cabelo do PÉ do Leprechaun, vai.

Mal comida do caralho!

Apesar de achar que todas as mulheres revoltadas sem motivo e com merda na cabeça são na verdade mal comidas e/ou virgens, nesse caso, além disso, é culpa da Sociedade do MIMIMI.

PRA QUE FAZER TUDO CERTO?
PRA QUE NÃO FALAR MAL DA PORRA DO CABELO DO JOGADORZINHO?
PRA QUE NÃO EXPRIMIR OPINIÃO?

Mas que merda, todo mundo tem uma opinião sobre alguma coisa! E ficam enfiando essa conversa goela a baixo pra que?
Quando não precisa da porra da sua opinião VOCÊ VAI LÁ E DÁ DE BOM GOSTO, NÉ FILHO DA PUTA. NÃO ACEITA A OPINIÃO DOS OUTROS MAS QUANDO VAI DAR A TUA É A VERDADE ABSOLUTA!

Não aceitam comentários dos outros, mas quando vão dar a tua opinião, ela é a Verdade de Deus! Vai tomar no meio do seu orifício corrugado na região ínfero lombar.
Nenhuma opinião deve ser levada a sério a ponto de começar uma guerra, e ao mesmo tempo, nenhuma opinião deve ser suprimida dessa forma citada acima.

Sabe porque?

A TUA opinião não vai mudar a REALIDADE de quem vive.
Não importa a tua opinião, logo, NÃO FORCE ELA GARGANTA A BAIXO DOS OUTROS.

E ao mesmo tempo, se tu não tem opinião de nada, você é um retardado manipulado pela mídia que gosta da globeleza e é a favor da Dilma ganhar de novo.

Pode parecer um texto muito contraditório, mas se tu ler TRINTA VEZES, vai ver que não.
E se tu precisar ler TRINTA VEZES, esse texto não é pra ti, animal.

Vaza.

PROBLEMA ENCONTRADO: Extremo.
Sociedade extremista é assim, ou é 8 ou é 800000000000000000000000000000000000.

Grande merda, se eu quiser o 394760397609574694, EU VOU SER, FALAR, USAR, FAZER, COMER, VIVER o número 394760397609574694, caralho!

Porque além do que eles imagina, ELES NÃO MANDAM EM MIM.

Não sou e nunca vou ser igual a todos eles.
Eu gosto é do ESTRAGO!



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quinta-feira, 1 de maio de 2014

E o trofeu merda do ano vai para...

Muita gente me perguntou já: Agora que tu tá namorando a gente nem vai mais saber sobre teus podres, né!

Muito se enganam, agora que eu to amarrado mermo posso queimar meu filme xD ou não, não é tão queima-filme assim as merdas que eu já fiz. E foram tantas que até compensa eu publicar aqui. Pouca gente lê mermo. Como uma história puxa a outra, vou começar com uma recente e ás vezes chega uma antiga, vamo ver.

Coquetel de promoção, como eu tinha escrito nesse post AQUI < clica se tu não leu, porra.

Helena era a mulher mais gostosa do lugar. Isso porque a DP só tem mulher gostosa. O treinamento faz isso com elas; podem comer o próprio peso em massa e não engordam. Também, todas essas a que eu me refiro são de campo, ou seja, correm pra caralho o dia inteiro. M. tem as coxas mais grossas que eu já vi numa guria. E eu já vi muitas gurias.

Mas o conjunto não é tão bem distribuído.

Helena é baixa. Tem seus 1,6 e pouco, fez dança não sei quanto tempo e come pouco. Guria é ligada nos 380W o dia inteiro, e por não fazer nenhum exercício que centralize só uma parte do corpo, as proporções são boas. MUITO boas. O salto deixou ela maior.

Enfim, chegamos no meu carro, estacionei na parte de trás de um salão qualquer aí que fica num lugar bom; Helena não parava de puxar a maldita camisa pra baixo, achando que, por algum motivo, ela estava feia. Mal sabia ela a vontade de não deixar ela sair de dentro do carro.

 Vai me dar o braço ou estender a mão?

Apesar de toda a merda que eu faço/fiz, eu ainda fui criado por ingleses. Mermo que não na merda do Brazil, ela merecia uma entrada digna. E mais, deixa eu ser feliz. Ofereci meu braço até a entrada do lugar. Eu já tinha ido umas vezes nesse salão de festas, e já tinha mandado fechar outras tantas vezes por causa da maldita escada na entrada. Mas eu agradecia por ter ela dessa vez. As atenções se voltaram pra mim quando eu entrei, talvez pela primeira vez que eu vestia alguma coisa sociável, ou então meu cabelo que, depois de todo o estresse dos trabalhos, vivia como um ninho de rato. Talvez fosse ela. Não havia anuncios de entrada, apenas entrava. Tirei meu braço dela e ela parecia querer morrer diante do salão meio lotado.

Segurei apenas sua mão, dando um beijo na parte de cima, desci as escadas como apoio pro salto que ela parecia ter nascido com ele. Mesmo que eu nunca a tenha visto com um.

Como sempre, precisava cumprimentar meus superiores. A mesa deles era a mais lotada, com mais gente mal encarada e elegante. As mulheres deles não sorriam, mal comidas e traídas, com filhos catarrentos pra criar e pouca paciência pra esse tipo de evento. Iam obrigadas. Uma delas já tentou sair comigo, mas eu tinha outra pra comer naquele dia. E não queria perder meu brinquedo. Nem meu emprego. Arrastei Helena pra lá, apresentei  a eles e, antes de mais perguntas, procurei minha mesa.

Como sempre ia sozinho, João* e Douglas* que não tinham acompanhante nunca, sentavam comigo. Já era a segunda ou terceira reunião que faziam, e todas elas um porre. E teria um discurso meu, dessa vez. Dois porres. Passei uns dias tentando escrever alguma coisa, e até consegui. Mas eu não ia ler, provavelmente ia fazer alguém passar vergonha e foder com a vida de dois ou três outros que me fizeram passar raiva algum dia.

Algumas garotas do centro me deviam uns favores, financeiramente, eu digo, então, pedi gentilmente para que A. e F. fossem ao coquetel, acompanhar João e Douglas. Foi um tipo torto de presente que homem normalmente gosta. Pedi para elas escolherem melhor as roupas, uma coisa mais formal, e mesmo os decotes um pouco avantajados demais, elas vestiam preto, ambas, a loira alta, Ana, e a ruiva de farmácia Fernanda. Que fique claro, eu não as contratei como putas. Eu as chamei para um evento como um amigo, para acompanhar outros amigos que por ventura não saberiam a profissão delas. E, claro, eu NÃO PAGUEI por esse encontro. Não foi filhadaputagem minha.

Acompanhados, eles esqueceram de me torrar o saco.

Cafa, todas essas pessoas trabalham com você?
Não, não todas. Muitos são acompanhantes e outro tanto são de outra DP. Comigo trabalham os que tem essa faixa vermelha no braço.
Você quer dizer vinho.
Pode ser.
E a sua?
Eu perdi, nunca vim com uma dessas.
E não é contra o regulamento?
Foda-se o regulamento? Relax Lena, sempre me chamaram a atenção por isso e eu nunca liguei. Não faz diferença.
Tu não te intitula por causa do teu trabalho de detetive? Por isso tu não anda fardado, não tem essas faixas e essa cara de maconheiro?
A cara de maconheiro é falta de café. Eu não uso mais isso.
Ela sorriu. Eu sei.
Ainda faltam as pessoas que estão de patrulha agora. Na verdade, os mais chegados meus estão de patrulha hoje. Cortesia do "boss".
Filho da puta.
Yeap. Muito.

Meu discurso foi rápido, haviam mais cinco pra discursar depois e eu escolhi ser o primeiro pra poder ir embora mais rápido. Não pude.

Quero agradecer a todos os meus queridos amigos, que fizeram essa promoção possível. Quero agradecer também ao meu querido chefe, que se não fosse ele, eu jamais teria conseguido tal feito.
Ah merda, não! Esse é o discurso de primeiro de Abril. Me desculpem.

Helena já colocou as duas mãos no rosto e todos da DP riram. Menos meu chefe. Ele sabia que eu ia fazer merda.

Eu quero agradecer o estagiário N, pela sua pouca boa vontade em pegar o café. Isso me diverte, obrigado. Quero agradecer também as gurias do RH pelo sotaque infernal que me passaram; e depois a gente conversa sobre as horas extras. Agradeço muito ao meu carro. Sem ele, muito disso não seria possível. Agradeço ao meu chefe, por fazer eu quebrar metade das merdas de regras da DP toda vez que preciso de um encaminhamento ou mandado. Sem ele, eu não saberia o valor de uma boa troca de favores. E mais inda! Agradeço ao meu chefe a oportunidade de trabalhar nas ruas todas as vezes que eu não me recolho à minha patente. Patente esta muito mais alta que a sua própria. Agradeço por poder prender a escória nas ruas dessa cidade, mesmo a contra gosto de muitos aqui dentro.
Agradeço à DP em geral, por cooperarem com nada que eu preciso, e por me foderem todas as vezes que seja permitido. E que continue assim!
Muito obrigado a todos.

Peguei cinco dias de trabalho de rua e mais quatro de carcereiro na prisão por isso. Mas, ah, valeu a pena! E não é a primeira, muito menos o ultimo caso de insubordinação!

Porque eu gosto é do estrago!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Retratação – por uma vida com mais casais de verdade



Notaram que eu sumi. Eu sumi tempo pra caralho! Desculpem por isso.
 Logo, tenho muitas novidades.
Ø  Eu peguei sotaque do sul. Sério, man, tem um povo do sul trabalhando comigo, são crianças ainda, estagiários, mas eles tem um sotaque tão gostoso. Fora Helena que também tem.
Ø  ESTOU NAMORANDO. Por isso o tempo tá como tá, desculpem, mortais, mas o Cafa achou uma mulher. É estranho como essas coisas acontecem, eu vou explicar depois.
Ø  Recebi bonificação por trabalhos prestados e levei Helena no jantar. Foi impagável.
Ø  O Peste também tá namorando, e por incrível que pareça é uma mulher. Não é gostosa, é comível.
Ø  Os gatos da Helena tão comendo meu sofá.
Quando eu digo por uma vida com mais casais de verdade, não virei um filho da puta romântico que deixou de comer a namorada. Pelo contrário. Digo que muitos casais são casais de mentira.

Tu tá cansado pra caralho, só que rum banho quente, estressado com tudo e todos, chega batendo a porta, e o primeiro grito da tua mulher é: a porta não é de aço, cuidado. Quando é uma mulher comum que tu não aguenta mais ver na frente, que só te enche o saco e não liga pro teu dia, só pensa nela mesma e tá pouco se fodendo se tu tá mal e quer uma massagem, tu responde: me deixa, to estressado.

Mas quando tu sabe que ela se importa, tu diz: foi mal, meu dia foi uma merda. Quando tu sabe que ela se importa, tu sabe que ela vai vir, encostar no batente do banheiro ou deitar na cama contigo e perguntar o que aconteceu. Mermo que ela não possa fazer porra nenhuma, ela vai te ouvir. Do mermo jeito que tu vai ouvir ela, não porque tu é obrigado, mas porque tu quer mostrar que tu também te importa.

Começa então uma parceria. Nos dias que ela tá mal, tu faz de tudo pra ela ficar bem, por que tu sabe que quando tu tiver mal, ela vai deixar os problemas dela de lado pra te ajudar. Aí tu vem me falar “man, essa mulher não existe não.”.. Tu que é um filho da puta idiota que não sabe procurar, esperar e cultivar a preocupação de uma mulher dessas. Elas existem, e aos montes, tu que é retardado demais pra notar.

Falando da bonificação.. pela primeira vez, usei o cartão de acompanhante que sempre me entregam com uma mulher que eu pudesse apresentar ao departamento, alguém que não precisava ser completamente ignorada, alguém que eu confiava que não ia falar merda. Ela então fez a pergunta mais idiota do mundo, que ao mesmo tempo me fez rir e abraçar ela para que parasse com o drama do caralho.

- Mas o que eu vou vestir? Quem vai tá lá? É formal? Ah droga, eu não tenho roupa! Filho da puta, me avisasse antes, e agora, onde eu vou arrumar um lugar pra alugar um vestido?

- Vestido? Tu tem uma caralhada de vestido no guarda-roupa, Helena, vista algo preto.

- Mas eu só tenho coisas pretas.

- Melhor ainda, vista alguma coisa preta. Tu é bonita, qualquer coisa que tu vestir vai ser a mulher mais linda do lugar.

- Mas e VOCÊ? Cafa (é, ela me chama de cafa ainda), tu vai vestir o que? Tu sabe que nenhuma roupa tua tá passada? Tu sabe que, fora a farda, tu não tem uma calça social? Tu nem tem camisa social direito! Ah meu Deus, Cafa, tu vai vestido de trapo (pessoa mal vestida e suja, mendigo)?

- Helena, pelo amor de Deus, que drama do caralho é esse? Eu me viro, relaxa, e tu pode ficar tranquila, vai ser uma coisa formal mas pra poucas pessoas.

- Pior ainda! Eu nem tenho um salto!

E isso foi só o começo.. no dia seguinte, ela me acordou cedo, me arrastou pro ap dela pra ajudar a escolher uma roupa. Depois de jogar quase tudo em cima da cama e desdenhar de todas as minhas ideias, ela me mandou embora depois do almoço. Só pediu pra eu voltar às 8 da noite pra pegar ela.

Eu to acostumado a esse tipo de evento e, sinceramente, pouco me importa o que eu visto. Já que Helena me fuzilou quando disse que ia por uma calça rasgada e uma camiseta verde, escolhi uma camisa cinza grafite que eu nunca usei, com manga nem curta nem longa que eu dobrei até acima do cotovelo e não me dei ao trabalho de abotoar todos os botões. Uma das calças de aparência mais nova que eu tinha era um jeans azul escuro com lavagem do tipo esfreguei no cascalho. Não era surrado, mas não era escuro.
Falando nisso, preciso fazer compras de roupas. Preciso levar Helena junto, assim ela escolhe enquanto eu tomo um sorvete.

Enfim, dar um jeito no meu cabelo é uma tarefa hercúlea, então eu só passei um pente e baguncei, do jeito que ficasse tava bom. Helena, por outro lado, conseguiu ficar mais gostosa. Depois de uma tarde com as amigas caçando coisas no guarda-roupa pra usar, ela colocou um jeans bem justo, preto, uma camiseta vermelho vinho com uma enorme caveira de pedrinha prata na frente. Nas costas, tiras faziam uns quadradinhos, um tear trançado, até folgado. O cabelo liso avermelhado tava preso com uma trança pequena de um lado e uma franja grande do outro; maquiagem suave e um tipo de brilho na boca, com gosto bom; o salto preto tinha uma tirinha vermelha por cima, onde provavelmente fechava. Eu demorei um tempo até conseguir assimilar que era a mesma Helena de jeans rasgado e camiseta do Ramones, que me xingava e fazia careta toda vez que eu zoava o lápis preto que ela usa nos olhos.

- Tá feio, né, eu sabia, eu sabia que não devia ter posto essa blusa, eu nunca usei ela mesmo, agora eu sei por quê.

Deu trabalho convencer que Helena era a mulher mais bonita que eu já tinha visto. E todos do DP concordaram imediatamente quando ela apareceu comigo. Era a mulher mais gostosa da comemoração, invejada pelas outras mulheres e desejada pelos caras de toda a delegacia. E era minha.

E pela primeira vez eu pensei..

Sortudo do caralho! xD


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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rock In Rio – 10 motivos pra tu ir.


Eu sei que o tempo já passou, mas tanta coisa vem acontecendo nesses últimos tempos que eu realmente perdi a noção de que minha ultima postagem foi a 7 meses.
Foda-se, eu não ligo. Mas desculpa pra quem sentiu minha falta. Prometo voltar às atividades normais.
Voltando ao RiR, que talvez seja a ultima vez no Brasil (rumores, rumores), vamos ao que interessa.

1.       O SHOW DA TUA VIDA. Lógico, se tu tiver grana pra caralho pra gastar vendo o Iron em cada turnê que ele faz, ótimo pra ti. Se tu não tem, invista no RiR, tu tem a chance de ver uma caralhada de bandas muito fodas que tu nem imaginava que existia. Mas cuidado com o celular, pra não ser roubado. Eu avisei, eu avisei.

2.       JOGAR DINHEIRO FORA. Por que não? Tem quem gosta de jogar dinheiro fora xD

3.       PEGAR MULHER / HOMEM. Com certeza é um lugar pra pegar muita mulher, e no caso delas, ou de quem gosta, muito homem. A quantidade de gente com vontade de foder no RiR é fodasticamente incontável. Aproveita. Eu fui amarrado dessa vez xD não pude “aproveitar” desse jeito.

4.       CULTURA. Pode parecer que não, mas é cultura sim. O RiR é formado de POP nos primeiros dias, Rock e Metal nos últimos. Tem pra todo gosto, desde o viadinho que ouve Lady Gaga até a metaleira que pega mais mulher que eu, ouvindo Ghost.

5.       GENTE PRA CARALHO. Se tu quer conhecer gente, trocar contatos profissionais, é um bom lugar; ainda mais se o teu nicho for relacionado a eventos, grandes eventos.
6.       FAMOSOS. Tu vê muitos famosos da Globo e outras emissoras andando e dando por ali. Camarote, Pista Prime, Área V.I.P., Tenda Eletrônica, bandas cover, em todo lugar tem um famoso, se tu tiver a fim de tietar.

7.       SAIA DA ROTINA. É um bom jeito de sair da tua vida de merda.

8.       ABRA A CABEÇA. Muita gente tem mente fechada pra caralho, e esse é um lugar que não aceita esse tipo de coisa. Tu precisa tá aberto a ver de tudo sem te escandalizar. Mina se pegando, arrancando a roupa da outra, voando calcinhas pros lados, sexo em todo canto escuro, só saber procurar, ou não. Homens, mulheres, não importa, realmente, como é formado o casal, mas é formado, é feliz, e tá pouco se fodendo pro que tu pensa deles.

9.       APRENDA A TE VIRAR. Nesses lugares, só se tu for com a mãe. Ir sozinho ou com galera te põe na seguinte situação: tu te vira pra comer ou tu morre de fome. Tu entra na fila pra comer arroz com bife ou tu morre comendo as “batatas de ar” do Mc Lanche Infeliz. Tu gasta uma energia do caralho pra se manter de pé no meio de tanta gente, querendo ou não, tu precisa ficar forte pra não cair na porcentagem dos que passam mal por desidratação ou falta de glicose, cerca de 25%.

10.   HORÁRIO É TEU. Quando tu entra, man, horário é tu que faz. Sair mais cedo, entrar mais tarde, não ver o show da tenda eletrônica ou não participar do primeiro show do Sunset, é escolha tua. Então, te programa primeiro, saiba a merda que vai rolar e esteja nos lugares certos nas horas certas pra aproveitar ao máximo.
 

De mais a mais, só curtir xD

quarta-feira, 20 de março de 2013

O ódio reverso




Muita gente sabe que o amor e o ódio estão separados por uma fina linha e tênue que pode se romper a qualquer momento. E muitas vezes o ‘amor’ pode se manifestar em ódio.
Há mais ou menos um mês, isso vem acontecendo comigo. 

Não o amor, o ódio!

Vizinha nova; isso normalmente é motivo de alegria pra muita gente, inclusive para mim, por um tempo. Não nesse caso.
Helena* se mudou no final do mês passado com mais dois irmãos para o apartamento no final do corredor, no meu andar. Os pais, agora separados, já se desentendiam há muito tempo, os irmãos passaram pelo SISU e vieram estudar por aqui, trouxeram a irmã caçula pra não obriga-la a conviver com as brigas continuas dos pais. Em casa e sozinha maior parte do tempo, fez amizade com umas garotas igualmente revoltadas do bloco C, vizinho.
Quando a vi pela primeira vez, estava com o meu parceiro de madrugadas, João, o estagiário ajudante do porteiro que tira uns roncos à noite. Depois das 23h, quem entra ou sai precisa passar pelo porteiro, logo, eu me instalo em cima do balcão de mármore e fico papeando e comendo pizza, refazendo relatórios e conversando nos Insones. Uma insônia do caralho, papelada infernal pra resolver, a chefe fodendo todo mundo – e não de um jeito bom -, meu estresse lá em cima, fodido de raiva, ela entra pela porta do saguão com duas amigas à tira colo.

- Lugar de mendigo é na rua, João. Aqui não é um posto de caridade.

As amigas riram.
Talvez pela minha calça jeans rasgada e minha camiseta verde folgada demais, o cabelo meio bagunçado, olhos vermelhos de falta de glicose e café, realmente ela poderia ter pensado nisso. O jeans rasgado dela era bem cortado, e não desbotado. A camiseta preta estava surrada, as correntes pareciam novas, o allstar sujo e desamarrado. Com 1,70 m de altura, olhos esverdeados, boca vermelha e bem desenhada, sem sorrisos ou charme. Uma pessoa dura o suficiente pra não ter apenas 17 anos de idade.
Minha pizza chegou. Eu já não tinha mais tanta fome depois dos quatro copos de café que tomei com o João, e estranhamente pedimos três pizzas e seis latas de Coca-Cola. Assinei o recebimento do pedido e dispensei o Carlos*, entregador.  Peguei a pizza de calabresa juntamente com três latas de Coca gelada e entreguei para uma das amigas de Helena.

- Por conta do mendigo. Agora, vaza, garota.

- Não queremos, obrigada. – disse Helena.

- Não entreguei pra ti, entreguei pra ela. Espero que goste de calabresa sem cebola.

A garota pareceu agradecer, mas Helena a puxou pelo braço. A amiga parecia muito animada e disposta a conversar, mas a rocker estava fudida de raiva.
Um dos irmãos de Helena faz faculdade de filosofia, a desgraçada então tem muito conhecimento nessa área, logo, ela meio que está por dentro do que eu falo ou faço. Roqueira por influencia dos irmãos, ela  é ainda uma adolescente idiota, fútil e irritada com qualquer coisa.

Como Mr C disse talvez o jeito marrento e “rebelde sem causa” dela esteja me incomodando. Provavelmente seja isso. Provavelmente a minha vontade de baixar o ego mega-inflado dela faça com que ela não saia da minha cabeça.
Bom, escutai o que veio depois.

Logo depois que as garotas foram embora, ela me perguntou se eu morava ali.

- Mora aqui, ou só está de passagem?

- Faz diferença pra ti?

- Faz, quero saber se ainda vou ter que ver sua cara feia andando por aí.

- Vai, eu moro aqui.

- Que merda, hein.

O elevador deveria ter subido e levado a rocker pro ap dela, mas a desgraçada deve ter me esperado para certificar que eu realmente morava ali. Juntei meu note e a lata de Coca que não bebi, rumei pro elevador. Quando ela me viu, chamou-o. Eu me encostei no fundo, enquanto ela esperava eu dizer o andar; quando não obteve resposta, apertou o 23.

- Onde você mora?

- Somos quase vizinhos. 2323, você não vai me perder de vista.

- Quisera eu nunca mais te ver.

- Não precisa me ver, eu não fico muito por aqui. – fechei a porta sem boa noite e não a vi pelo resto da semana, o que foi muito bom, eu pilhado daquele jeito poderia ter mandado ela pra puta que a pariu, e isso não é algo que se diz a uma mulher. Apesar dela ser um projeto de uma.

Implicâncias à parte, ela é gostosa. É bonita enquanto não abre a boca que só tem espinhos pra oferecer como palavra. É roqueira, e isso me deixa doido. Ela me lembra Lady, apesar de Lady ser a nossa deusa inatingível, ela lembra bastante. Principalmente nas tiradas.
Uma sexta dessas eu a vi. Estava saindo pra vadiar com o Peste, decidido a comer alguém e tirar o estresse do trabalho.

- Olha, ele sai de casa!

- Vou vadiar um pouco. Vai pra casa assistir algo no Nickelodeon.

- Tá bem, velho! Vai pegar umas vadias na rua?

- Tu não devias saber essas coisas, criança. Eu não pego na rua, eu pego em boates. Vamos Peste.

Pelo resto da noite, o Peste ficou fodendo meus ouvidos com  histórias que ela tava a fim, que eu devia me juntar às três garotas pra uma sessão Nickelodeon e apresentar uma delas pra ele. Bem, não, obrigado; afinal, eu sou um policial, não sou?

Voltei às 4 da manhã, ela ainda estava sentada no balcão conversando com o João. O livro 50 tons mais escuros estava começado, em algumas primeiras páginas e marcado com a orelha do livro. Uma eletricidade correu pelas minhas veias e foi muito mais forte do que eu. Encarei sombriamente os olhos verdes.

- O que foi?

- Tu é mal comida.. sinceramente, 50 tons? Por favor, jogue isso no lixo!

- A psicologia usada pra convencer Anastásia de ser amarrada e a fazer tudo que ela não queria é algo interessante. Mas acho que é demais pro seu cérebro pequeno.

Ok, ela disse isso pra um psicólogo formado em psicologia e psicanalise criminal. Ok, ela não sabe disso.
Me aproximei dela, com os olhos fixos, como um felino que vê sua presa e não desvia os olhos para não perde-la, encostei meu nariz no dela e disse:

- Ela vai embora, volta e eles se casam no terceiro livro. Ah, ele é um ciumento possessivo com distúrbios bipolares e necessidade de controle.

Dei boa noite ao João e me dirigi ao ap. depois disso, ela descobriu meus horários e topava comigo sempre que podia, trocando carinhosas palavras do tipo “foda-se, não perguntei” ou “péssimo dia pra ti também”. Ela começou a usar o Wifi da recepção, ouvindo minhas conversas com João e dando palpite sempre que podia. Acabávamos por dividir pizza.

Um sábado desses, ela me pegou pra conversar, sério e sem farpas. Ela me contou um pouco da sua história e como se sentia sozinha. Não sabia nada de mim até então, nem nome, nem o que eu fazia. Era só o “Cafa” do 23. Somente disse o meu nome, nada mais. Não queria que ela se sentisse impelida a ser a garotinha romântica que espera o seu príncipe encantado bater na porta. Se eu bater na porta, é pra foder e ela não vai aguentar.
Mais cedo, madrugada, ela me esperou, mas eu não voltei sozinho. De alguma forma, eu devia mostrar pra ela que ia se machucar muito se se metesse comigo. Voltei pra casa com uma loira que era tudo que ela não tinha. Escolhida a dedo, ela era fútil, seios enormes, salto alto, minha altura, cara de cachorra no cio, batom vermelho que me manchou a boca, uma perfeita puta de luxo. Quando passei por Helena, encarei seus olhos verdes, mordi a boca, passei um dedo pelo batom manchado e pisquei pra ela. A minha intenção era fazer uma garota inexperiente pegar fogo e uma mulher feita morrer de ódio. Digo que ela ficou os dois.

Na manhã seguinte, levantei mais cedo, fiz café com leite quente, peguei o jornal e sentei na porta dela. Sei que os irmãos saem cedo todos os dias, ela fica sozinha e mal come.

- Café? Acho que tem palavras cruzadas pra você fazer no final do jornal.

Entreguei uma xícara enquanto ela se sentava do meu lado, nada disse por um tempo, reunindo coragem, talvez, pra perguntar da tal loira.

- Ela dormiu aí?

- Ninguém dorme no meu apartamento sem ser convidado especial. Ela não dorme aqui, nenhuma delas.

- Delas? Entendi o “Cafa” agora.

Dei de ombros, não fazia questão nenhuma desse assunto. Não a vi o resto do domingo, nem na segunda-feira.
Um domingo depois, acordei com Led Zeppelin tocando estrondosamente. O problema é que, no andar, eu sou o único que gosta de Led. Pensei que fosse meu celular, mas não. Era ela, me acordando dez da manhã. Não sei descrever ao certo o que eu senti naquele momento, mas eu senti. Coloquei uma calça jeans, não me dei ao trabalho de por camisa, joguei água fria no rosto, peguei minha SG, liguei o Meteoro e acompanhei suas músicas pelo meu quarto.
Depois de um tempo, ela deve ter notado. Desligou tudo e, quinze minutos mais tarde, batia em minha porta, me obrigando a interromper o solo de Stairway To Heaven.

- Sua sol tá desafinada.

- Eu percebi, só isso?

- Vai me deixar plantada aqui fora?

- Sim, você é menor, eu moro sozinho, não quero problemas.

- Eu não tenho medo de você.

- Não importa, na verdade. Vai pro seu ap. Se quiser tocar junto comigo descemos pra recepção.
Mas ela entrou sem a minha permissão mesmo. Filha da puta.

- Fresco... se você tentar algo eu chamo a polícia, tu vai preso e pronto. – disse, se jogando no sofá da sala.

Eu passei uma chaveada na porta enquanto ela sentava no sofá, andei até ela bem devagar, olhando nos olhos dela, e quando cheguei bem perto, encostando a ponta do nariz...

- EU sou a polícia. – peguei a guitarra e fui afinar. Ela demorou uns cinco minutos pra respirar normalmente depois.

Ela veio pra provocar, com short curto demais, roupa larga demais. Ela só queria brincar, passar o tempo, então dei algo com que ela pudesse brincar.
A estante onde eu guardo meus livros é alta suficiente pra ela não alcançar. Principalmente os de psicologia e criminalista. Ela, interessada em um dos muitos livros, tentou alcançar. Não conseguindo nem nas pontas dos pés, eu me coloquei atrás dela, peguei o livro com uma mão na sua cintura, e continuei assim enquanto ela lia qualquer coisa no verso. O cheiro dela é muito bom! Ela viu os 50 tons e começou a rir.

- Sério?

- Sim, psicologia. Muita mulher gosta desses livros, e eu quis entender o porque. Entendeu o que ele quis dizer?

- Grey me lembra você. É estranho igual.

- Não tenho nada a ver com ele, a não ser o fato de gostar de amarrar as mulheres. Mas é consentido e nada de contratos.

- Não faz o seu estilo. Duvido.

- Cuidado com o que diz.

- Até parece que tu faz alguma...

Acho que ela ia dizer coisa, mas estava ocupada. Prendi uma perna dela entre as minhas, encostei ela de frente comigo na estante, segurei firme o cabelo dela, na nuca, puxei forte e a beijei até ela ficar sem ar. Ela respondeu bem.

- Feliz? Achou o que veio procurar? – um pouco tonto pela merda que tinha acabado de fazer, me sentei no braço do sofá, olhando os livros de 50 tons.

- Nada mal, minha vez.

Ela fez basicamente o mesmo que eu, mas levando em conta que raras vezes alguém me pegou com guarda baixa, e mais raras vezes ainda eu estava sem camisa, sentado e interessado, ela teve uma boa vantagem. Eu havia me esquecido o que acontece quando uma mulher puxa meu cabelo enquanto beija. E não presta. Quando ela me soltou, eu caí no sofá. Man, ela ficou entre as minhas pernas, uma mão no meu rosto, parecia tão tranquilo, tudo de boa, mas aí ela me mordeu, puxou o meu cabelo, arranhou minhas costas e quando ela me soltou, eu caí no sofá.
Foi a única vez que algo assim aconteceu. Decidido a não deixar mais pegar fogo em algo que eu não desse conta de apagar depois e a tempo, quando estamos juntos me concentro o máximo que posso.

A partir da terça, comecei a fazer um pouco mais de café, sair de casa um pouco mais cedo e colocar uma xícara grande de café com leite quente e uma torrada de pão de forma na porta do ap dela. Um jeito de mostrar que, apesar de tudo, ela não tá sozinha.
Um dia desses, ela veio com bolinhos de chuva até o meu ap., um pouco mais cedo que o habitual, e ainda estavam quentes. Ela se preocupou em acordar cedo o suficiente pra fritar bolinhos de chuva. Segunda ela veio tomar café no meu ap, comprei comida mexicana na volta do trabalho, jantamos juntos e deixamos pros irmãos dela quando chegassem da faculdade. Ontem vieram me agradecer, fiquei sem graça.

Não é uma breve história, nem escrevi por motivo especial. Mas, às vezes não damos oportunidade pra que algo realmente bom aconteça. Tá na tua cara, filho da puta, e tu não vê.
Eu fui idiota por vários motivos. Um deles é tentar afastar alguém que aparentemente gosta de mim, ou se identifica de alguma maneira, quando eu disse pra alguém próximo que isso era tudo que não poderia ser feito. Lady me crucificou.
Eu fui idiota também por ser um pouco egoísta, de alguma forma, em me preocupar com ela por me fazer bem. Talvez eu devesse somente assistir.

É o que eu vou fazer, assistir.
Quem vem comigo?



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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

TPM - Manual Para Homens


A Tensão Pré Menstrual deixa a mulher uma fera durante alguns dias antes da menstruação – geralmente dois – e que permanecem até o ultimo dia da menstruação. Ou seja, é uma merda de sete a dez dias do mês que deixam as mulheres – em sua maioria – insuportáveis.

Tive uma namorada há uns anos que era extremamente doida quando chegava a maldita semana de TPM. Ela urrava de raiva, se sentia a pior mulher do mundo, chorava à toa e se entupia de chocolate. Me batia, me arranhava, jogava coisas em mim. Mas graças a ela, e à nossas conversas, pude ajuda-la a passar por isso mais tranquilamente. Depois de alguns meses, aprendi como lidar com ela, e com as mulheres em geral na TPM. Espero ajudar.

Muitos são os homens que tentam passar por isso sem maiores danos, mas poucos conseguem. Então, eu fiz um pequeno manual, com a ajuda de minha estimada amiga Lady, que promete tentar amenizar esse sofrimento de ambos os lados, afinal, mulher também sofre pra caralho com isso.
Em questões com qualquer mulher na rua:

1.       Se ela se apresenta irritada sem motivo, não force. Não fique mais tempo do que precisa perto dela, não olhe demais pra ela e, principalmente, seja um cavalheiro e não dê motivos pra ela ter um ataque histérico.

 2.       Seja gentil, não faça perguntas nem tente ajudar; coisas do tipo “posso lhe ajudar em algo” ou “aconteceu alguma coisa” podem acabar em uma sessão de choro sem fim que tu não quer assistir e muito menos ser o responsável.

 3.       Se tu tem algum doce – principalmente chocolate – no bolso, dê um jeito de chegar,  até ela, discretamente. Nada de “pegue um chocolate” ou “aqui, você tá precisando”. Man, ela não “tá precisando”, ou pelo menos não vê que está. Deixe na mesa dela, ou peça pra alguém gentilmente entregar, uma mulher, de preferência.

4.       Abra a porta pra ela passar. Segure o elevador, pegue papéis do chão, mas não espere obrigado nem diga nada, somente faça.

5.       Se ela se irritar com você, escute. Somente escute, por mais errada que ela esteja. Ela vai notar que está errada e, as mais humildes, pedirão desculpas depois. Confirme tudo e diga que esse não é seu ponto de vista, mas que compreende o dela e arrume algo pra fazer, qualquer merda serve. Saia da sala enquanto é tempo.

6.       Se for sua chefa, evite-a, de todas as maneiras.

7.       Se for sua mãe, evite fazê-la pedir duas ou três vezes a mesma coisa, faça na primeira vez que solicitado nesses dias. Lave a louça e deixe um pedaço de chocolate em cima da mesa. Mulher adora chocolate, e nesses dias ele proporciona uma saciedade que poucas coisas conseguem ter tal êxito.

8.       Se for sua sogra, não vá a casa dela.

9.       Se for sua professora, evite falar. Evite respirar também. Compre um chocolate no intervalo. Melhor, ande com chocolates no bolso.

10.   Se for uma completa estranha, sorria e leia o jornal.


Agora, se a dita cuja for sua mulher ou namorada, tu pode fazer muito mais e ainda não ficar “de castigo” ou “na seca” nessa bela e infernal semana.


1.       Não pense que vai transar com ela. Mulher raramente resolve transar nesses dias, sentem-se sujas e inseguras quando se trata de serem tocadas nas partes íntimas nesses dias. (confirmado com Lady essa história). Logo, esqueça total que tu vai transar. Se chegar com essa intenção, ela vai farejar e te mandar pra puta que o pariu.

2.       Não meta a mão dentro da calça dela, a não ser que seja convidado. Maioria das mulheres usa absorvente externo. “Os internos são mais caros e podem vazar quando mal colocados, além de incomodarem um pouco. Pra tirar é pior, ele não sai se não estiver pesado suficiente.” – diz Lady. “Além do que, nos sentimos desconfortáveis, pois temos nojo da situação, o sangue e tal”, termina.

3.       Faça carinhos leves e alterne com mais pesados. Principalmente os seios estarão mais sensíveis, logo, se resolver chupá-los, faça com muito mais leveza que antes, para não fazê-la gritar e tu ainda ficar com cara de idiota. Deixa tua mão leve, aperte com pouca pressão, o lugar não permite apertões nesses dias.

4.       Deixe-a sentar como ela quiser. Às vezes alguma posição pode ser desconfortável pra ela e para o absorvente externo/interno. Às vezes, fazê-la se deitar pode ser a morte! A preferência é deixa-la sentar diretamente à sua frente, na cama ou no chão, até mesmo no sofá. Deixe que ela sente-se como quiser entre suas pernas e encoste suas costas em seu peito, ela se manterá confortável assim, e tu também, além de ser uma ótima estratégia para as dicas seguintes.

5.       Se a mulher não tem dores de cabeça, a função puxar-o-cabelo-para-dar-tesão ainda continua intacta. Tu pode puxar o cabelo dela sem ouvir reclamações – se tu costuma fazer isso – tomando somente cuidado especial com a nuca. A nuca fica extremamente sensível, e tu pode se aproveitar muito disso. Se tu não sabe prender o cabelo da tua mulher, aprenda, mulher adora isso. Pergunte se ela tem um laço de cabelo em algum lugar, elas normalmente tem, e se importa-se de tu prender o cabelo dela. Sem pressa, pega as mechas do lado e vai juntando  no meio da cabeça, atrás, na altura das orelhas, como elas costumam fazer. Por ultimo, puxe os cabelos da nuca e prenda, pra deixar o pescoço livre.

6.       Agora com o pescoço descoberto, tu pode beijar de leve, beijar a nuca e as orelhas. Tu pode inclusive colocar a mão na garganta dela e puxar levemente pra trás, pra morder as orelhas. Todos os movimentos tem que ser leves, antes que tua mulher te mande pra puta que o pariu. Tu pode puxar o cabelo preso e aumentar ou diminuir a intensidade.

7.       Tuas mãos podem passear o corpo todo dela, contanto que na parte baixa tu não coloque as mãos por dentro da calça sem ser convidado. Tenta segurar os seios e, se a tua mão for quente, e só se for/estiver quente, coloque na altura do ventre (abaixo do umbigo). Lady afirma que algo quente traz conforto. Seja quente. Descer um pouco a mão por cima da calça, liberado total.

8.       Fale coisas bonitas, elogie. Não precisa ser um meloso filho da puta, mas não precisa também ignorar totalmente. Fale coisas bobas no pé do ouvido, converse perto, mostre que tu se importa e que gosta de falar baixinho no ouvido dela. Mantenha contato físico sempre, a deixa saber que tu tá ali.

9.       Massagem é campeão nesse caso, mas, porém, todavia, sem muita força. São mais carícias que massagem propriamente dita. A intenção é mostrar-se presente, pra ela saber que nesses dias tu também a ama, e não quer só sexo.
10.   Beije muito. Não importa como tu costuma beijar, tente algo novo. Seja delicado, inclusive com tua língua. Não tenha pressa, tu ainda pode conseguir uma boa recompensa em ser tão carinhoso assim, principalmente nos dias que ela não tiver querendo matar um.

Às vezes pode parecer idiota, mas a maioria dos homens sabe disso e não seguem, creio que por opção. Por isso o mundo está cheio de homens sem foder e mulheres mal comidas.

Espero ajudar pelo menos um homem a fazer a sua mulher feliz em uma semana de TPM. 



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